Todo mundo diz que, depois que o Carnaval passa, o ano começa realmente. É hora de colocar as coisas da casa em ordem, e os planos feitos no réveillon em ação. “Quero melhorar as refeições das crianças, fazer exercícios físicos, ter mais tempo de qualidade com os pequenos…”. Quando se tem filhos, queremos ser pessoas melhores, e proporcionar a eles um bom desenvolvimento, não é mesmo?
Aqui em casa não é diferente. E uma das proposições que fizemos como família, desde o nascimento do Henrique, é a de vivenciar uma nutrição saudável em nosso dia a dia. Mas posso contar uma coisa a você? Com o passar do tempo, fui entendendo que nutrir uma criança vai além da comida que sirvo. Tem a ver com amor, com energia e com exemplo.
Além do franguinho, da batata, do arroz, das hortaliças e grãos que eu colocava no prato do Henrique, ele se alimentava também das conversas que eu e minha esposa tínhamos à mesa. E enquanto ele se deliciava com o sabor da beterraba, também absorvia nossas risadas (e, eventualmente, nossas preocupações, é claro. Por isso nosso esforço de sempre tornar as refeições um momento leve).
Claro que é muito bom oferecer comidinhas sem conservantes, fresquinhas e 100% naturais para um bebê. Mas no fundo nós sabemos que só isso não basta: é só uma questão de tempo até ele olhar para o prato ao lado, o seu, e perceber que ali só tem fast food. Por isso nutrir um filho exige também um trabalho interno de reavaliação e de transformação. Porque você só pode indicar o caminho para alguém, quando seus passos o percorrem também.
Hoje, sei que alimento o Henrique com proteínas, verduras, legumes, cereais… Mas também com música, com pega-pega, com a história que conto enquanto ofereço a ele um pouquinho do que estou comendo, para ele provar. E não acho que é um jogo ganho, antes que você me pergunte. Porque nutrir não é algo que se faz uma vez só, não. É um trabalho diário de alimentar o corpo com nutrientes, e a alma com amor.